

Aspectos Históricos e
Naturais
Sumário
| Fitogeografia | Fauna |
| O Homem | A Fortaleza |
| O Farol das Conchas | A Praticagem |
| A Ilha como Balneário | Aspectos Legais |
A Ilha do Mel possui rochas muito antigas de idade pré-cambriana, bem
como formações arenosas muito recentes, pleistocênicas e holocênicas. Entre elas um
hiato de muitas centenas de milhões de anos. Entre as rochas metamórficas encontram-se
também migmatitos diferenciados, localmente anfibolitos, biotita e moscovita-xistos com
veios quartzo-feldspáticos.
É evidente que os gnaisses e migmatitos formaram-se a grandes profundidades e, se hoje
afloram nos morros, deve-se à ação da erosão que continuamente remove as camadas
superficiais da crosta.
Ainda em profundidade, os gnaisses foram atravessados por intrusões de rochas ígneas
básicas (diabásios) de idade mesozóica, contemporâneas ao maior vulcanismo basáltico
conhecido na História Geológica da Terra, que atingiu grandes áreas do Brasil, bem como
do Paranguai, Argentina e Uruguai. Vestígio desta atividade magmática encontra-se no
diabásio que corta os gnaisses na Gruta das Encantadas.
A planície arenosa ocupa a maior parte da Ilha. As areias jazem sobre os gnaisses ou
então sobre sedimentos terrígenos da Formação Alexandra não-aflorante. A formação
arenosa (restinga) é de origem marinha, embora sua parte superior não tenha sido formada
por areias transportadas pelos ventos.
A altitude da planície arenosa da ordem de 3,2 a 22,7 metros sobre o nível do mar,
indica que, à época de sua formação, o nível oceânico situava-se cerca de dois ou
mais metros acima do atual.
A face oriental da Ilha do Mel é formada por costões rochosos e am[plas praias arenosas,
onde são freqüentes as concentrações de areias ilmenítica de coloração preta. No
lado oeste encontra-se amplo baixio de sedimentos areno-síltico-argilosos, além de
costões rochosos e praias arenosas mais estreitas terminando em barrancos arenosos. A
face norte da ilha é constituida quase toda de estreita praia, interrompida aqui e ali
por degraus arenosos.
Na Ilha do Mel encontram-se dois tipos fundamentais de solos podzólicos. Nos morros
ocorre o Podzólico Vermelho Amarelo (PVa), de textura argilosa, fase floresta perúmida.
São solos medianamente profundos (1 a 2m) e bem drenados. Possuem fertilidade natural
baixa e são bastante suscetíveis à erosão. Nos morros desmatados, frande parte do
perfíl do solo foi erodido com a perda quase total de sua fertilidade.
Nas partes planas da Ilha, constituida pelas seqüencias arenosas das restingas, é
referida a ocorrência de "Podzol". Trata-se de solo mal drenado, de fertilidade
natural muito baixa. Quando desprovidos da vegetação nativa, perdem rapidamente o
conteúdo de matéria orgânica da parte superficial, restando apenas areia quartzosa
fácilmente erodível.
É evidente que os solos da ilha não possuem vocação especial para a agricultura,
justificando plenamente a criação da Reserva Ecológica, protegendo e preservando a
flora e fauna das restingas e dos morros.
A estrutura do Ilha do Mel, com seus feixes de restinga, sugere no Pleistoceno uma
configuração paisagística litorânea muito diferente da atual.
Os vários morros cristalinos representaram numa determinada época do passado ilhas
isoladas, as quais foram unidas por cordões arenosos de uma linha de costa progradante
pretérita, muito instável devido à flutuação do nível do mar, ora baixando, ora
subindo, respectivamente nos episódios glaciais e inter-glaciais do Quartenário.
Nas épocas glaciais o nível do mar baixava mais de cem metros, tornando emersas grandes
áreas da plataforma continental. Há cerca de 11.000 anos, no final do Pleistoceno, o
nível do mar situava-se a 75 metros abaixo do atual. A ilha simplesmente não existia.
Seu território achava-se ligado ao continente. No Ótimo Climático (5.000/6.000 anos
passados) o nível oceânico teve sua elevação máxima na ordem de 2 m acima do atual,
inundando extensas áreas da planície costeira do Paraná.
A configuração atual da Ilha do Mel é posterior à transgressão marinha de cinco a
seis de milênios atrás; portanto, é muito recente do ponto de vista geológico.
A Ilha do Mel, com uma superfície de 113 alqueires, situa-se no
litoral do Paraná, entre Pontal do Sul e a Ilha das Peças, subdividindo a barra da Baia
de Paranaguá em dois setores, representados respectivamente pelos canais Norte e da
Galheta. Seu perímetro é da ordem de 35 km.
Suas coordenadas extremas estão compreendidas entre os paralelos 25º2929" e
25°3433" lat S, e os meridianos 48°1717" e 48°2254" W
de Greenwich.
Em sua maior extensão, principalmente ao norte, é constituida por vasta planície de
restinga. Ao sul, em área menor, encontram-se vários morros de altitude variável,
ligados entre sí por formações arenosas.
A parte meridional é separada da setentrional por considerável estreitamento da
planície arenosa, denominado "pescoço" da ilha.
Entre as elevações formadas por rochas cristalinas (gnaisses) destacam-se o Morro Bento
Alves (158 m), Morro do Meio (100 m), Morro da Baleia (78 m), Morro do Joaquim (65 m),
Morro das Encantadas (68 m) e Morro das Conchas (50 m). A planície costeira geralmente
possui altitude inferior a 5 m, com exceção do cordão arenoso situado entre os morros
do Meio e Bento Alves, o qual alcança 22,7 m de altitude.
A drenagem na Ilha do Mel é indefinida, inserida nas depressões dos feixes de restinga.
É em grande parte impedida, originando faixas alongadas de terrenos úmidos e pantanosos.
Alguns pequenos córregos desaguam no lado oceânico, outros no Mar de Dentro, Nos morros
não existe um sistema permanente de drenagem.
Na Ilha do Mel encontram-se dois tipos fundamentais de solos
podzólicos. Nos morros ocorre o Podzólico Vermelho Amarelo (Pva), de textura argilosa,
fase floresta perúmida. São solos medianamente profundos (1 a 2 m) e bem drenados.
Possuem fertilidade natural baixa e são bastante suscetíveis à erosão. Nos morros
desmatados, grande parte do perfíl do solo foi erodido com a perda quase total de sua
fertilidade.
Nas partes planas da ilha, constituídas pelas seqüências arenosas das restingas é
referida a ocorrência de "Podzol". Trata-se de solo mal drenado, de fertilidade
natural muito baixa. Quando desprovidos da vegetação nativa, perdem rapidamente o
conteúdo de matéria orgânica da parte superficial, restando apenas areia quartzosa
facilmente erodível.
É evidente que os solos da ilha não possuem vocação especial para a agricultura,
justificando plenamente a criação da Reserva Ecológica protegendo e preservando a flora
e fauna das restingas e dos morros.
A estrutura da Ilha do Mel, com seus feixes de restinga, sugere no
Pleistoceno uma configuração paisagística litorânea muito diferente da atual.
Os vários morros cristalinos representaram numa determinada época do passado ilhas
isoladas, as quais foram unidas por cordões arenosos de uma linha da costa progradante
pretérita, muito instável devido à flutuação do nível do mar, ora baixando, ora
subindo, respectivamente nos episódios glaciais e inter-glaciais do Quartenário.
Nas épocas glaciais o nível do mar baixava mais de cem metros, tornando emersas grandes
áreas de plataforma continental. Há cerca de 11.000 anos, no final do Pleistoceno, o
nível do mar situava-se a 75 m abaixo do atual. A ilha simplesmente não existia. Seu
território achava-se ligado ao continente.. No Ótimo Climático (5.000-6.000 anos
passados) o nível oceânico teve sua elevação máxima na ordem de 2 m acima do atual,
inundando extensas áreas da planície costeira do Paraná.
A configuração atual da Ilha do Mel é posterior à transgressão marinha de cinco a
seis milênios atrás; portanto, é muito recente do ponto de vista geológico.
A flora diferencia-se de acordo com as características
físico-ambientais e edáficas. Em outras palavras, condiciona-se ao tipo de solo, à sua
potencialidade, bem como à morfologia do terreno.
Existe uma flora marinha e uma terrestre. A primeira é representada pelas algas. São as
algas verdes, entre outras.
Nas rochas expostas desprovidas de solos, vicewjam os líquens nos ambientes mais secos e
as mucíneas nos mais úmidos. São plantas pioneiras que preparam terreno para outras
mais desenvolvidas.
Sobre a rocha nua acumulam-se detritos minerais e orgânicos que permitem o crescimento de
pteridófitas (samambaias), bromélias (caraguatás), freqüentemente espinhentas, entre
numerosas outras plantas de pequeno porte, , todas contribuindo para o espessamento da
camada de detritos, preparando o terreno para plantas arbustivas.
As areias litorâneas próximas à praia não oferecem um substrato favorável ao
crescimento de agrupamentos vegetais mais desenvolvidos. Trata-se da zona de antedunas,
caracterizada pela pobreza e grande permeabilidade do solo, além do alto teor salino,
intensa insolação e ação dos ventos.
Os ventos evaporam a água disponível, fustigam as plantas, bem como soterram-nas com
areia. As espécies vegetais que aí vicejam são dotadas de adptações especiais.
A praia em si, sujetia ao vaivém das ondas, é desprovida de vegetaçào. Esta começa a
desenvolver-se nas áreas não mais atingidas pela preamar de sizígia, principalmente a
partir do reverso da praia.
Embora comumente não seja atingido pelas ondas, o reverso da praia é continuamente
"borrifado" com água salgada. Pela ação dos ventos que varrem a zona de
arrebentação das vagas. Dessa forma, as areias próximas à praia apresentam certo teor
salino. Nelas vicejam apenas as plantas halófitas providas de adaptações peculiares que
toleram os sais marinhos.
A vegetação da orla marinha, logo atrás da linha de praia, é composta de plantas
rasteiras psamófitas-halófitas, de gramíneas, ciperáceas e liliáceas. De quando em
quando na vegetação herbácea encontram-se densas populações de marmeleiro da praia.
Ainda no reverso da praia, porém mais para o interior, ocorre uma vegetação de pequenos
arbustos bem como de pequenas árvores de 3 a 4 m de altura. A associação principal é
constituida por araça, timbotuva e concon.
Na orla da vegetação arbustiva é comum a ocorrência de camarinha, orquídea da praia,
gravatá, arumbeva, maria-mole e samambaia da praia.
A restinga caracteriza-se por faixas de vegetação arbustiva densa, de largura variável,
dsub-xerofítico, formada principalmente por um pequeno grupo de espécies pertencentes à
família das mirtáceas, conhecidas popularmente como cambuís ou guamirins. Os caules com
ramificações e folhagens densas adaptam-se ao vento e à grande intensidade luminosa,
desenvolvendo uma forma característica.
Além das mirtáceas, encontram-se lauráceas, euforbiáceas, melastomatáceas,
pteridófitas, bromeliáceas, orquídeas, liliáceas e palmáceas. Entre os arbustos e
árvores destacam-se: cambará, manjuruvoca, mangue-bravo, aroeira, baunilha, carqueja,
caúna e timboúva.
No interior desta vegetação de pequeno porte encontra-se um pequeno número de epifitas,
cactáceas, piperáceas e aráceas.
Na costa da ilha do Mel voltada para a Baia de Paranaguá encontram-se faixas estreitas e
descontínuas de vegetação de manguezal.
Do lado da Baía em frente ao mangue ocorre a gramínea praturá. Como elemento de
transição para a restinga encontra-se a ovira de flores amarelas típicas.
Entre os cordões da restinga, formam-se depressões úmidas frequentemente pantanosas
onde vicejam ciperáceas e gramíneas.
Nos morros, nas áreas mais próximas às águas, a rocha aflora. O litoral rochoso mais
abrupto possui densos agrupamentos de bromélias rupestres, bem como de pteridófitas. Na
base rochosa, ainda ocasionalmente atingida pelos borrífos das ondas mais violentas,
encontram-se gramíneas.
Nos terrenos rochosos menos íngremes, com solos rasos, vicejam principalmente os
seguintes arbustos e arvoretas: capororoca-da-praia, racha-ligeiro, mangue-bravo,
balieira, mandacarú, maria-mole, arumbeva e canela-preta,
Nas encostas com solos mais desenvolvidos e mais ricos em húmus, viceja uma vegetação
de porte arbóreo composta de espécies seletivas: capororocão, camboatá-vermelho,
jeriva ou coqueiro, ingá-de-quatro-quinas, figueira-mata-pau, tapiaguaçú, baga-de-pomba
e figueira-de-folha-miúda.
Anteriormente à ocupação antrópica, os morros da ilha eram cobertos de florestas. A
devastação das matas foi causada pelas derrubadas, queimadas cíclicas das roças e pela
extração de madeiras para fins diversos. O uso rudimentar do solo florestal pelos
antigos moradores contribuiu para a sua degradação com a perda dos horizontes férteis.
Assim, em vários morros a mata não mais se recuperou, ficando em seu lugar uma
vegetação herbácea muito pobre.
A vegertação das restingas, devido aos solos impróprios à agricultura, não foi muito
afetada pela ação do homem, tendo preservado a sua originalidade.
A presença do homem na Ilha do Mel vem pertubando cada vez mais o
ambiente natural, suporte das vida vegetal e animal características das paisagens da
restinga, morros e costões rochosos. A preocupação com os aspectos ecológicos da Ilha
levou a Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA) a propor seu tombamento,
culminando com a criação da Estação Ecológica da Ilha do Mel.
Apesar de todo o esquema conservacionista dos órgãos responsáveis pela preservação, a
ilha continua sofrendo interferência de pessoas inescrupulosas que danificam ou invadem e
ocupam ilegalmente áreas protegidas.
Tanto as faunas marinha como silvestre, outrora tão ricas, encontram-se empobrecidas. Sua
reconstituição depende muito do desempenho preservacionista da Reserva Ecológica.
A fauna marinha encontra-se no extenso litoral arenoso, nos costões rochosos e na faixa
limosa voltada para a Baía de Paranaguá.
A faixa arenosa compreende a praia propriamente dita e a área peripraial permanentemente
imersa. A praia como área cotidal apresenta-se bastante instável pela contínua
movimentação das areias acompanhando o fluxo e refluxo das ondas e das marés.,É rica
em plâncton, tanto vegetal como animal. Nos interstícios das areias ocorrem nematodas
livres, bem como microcrustáceos.
Nas zonas do vaivém das ondas na praia vive o crustáceo tatuira e o caranguejo de cor
amarela esbranquiçada. Nas linhas das marés encontra-se um Isopoda-Crustacea com cerca
de 5mm de comprimento, carnívoro, que devora os restos de peixes, auxiliando na limpeza
natural das praias.
Ainda na praia, encontram-se os moluscos Pelecypoda e Gastropoda. Muitas conchas de
moluscos que vivem na área peripraial predominantemente arenosa são jogadas nas praias
pelas ondas. Entre elas destacam-se: Anadara chemnitzi, A. notabilis, Lunarca ovalis,
Glycymeris longior, Pecten ziczac, Divaricella quadrisulcata, Mactra isabelleana, Tellina
sp., Macoma sp., Sanguinolaria sp., Ollivancilaria brasiliensis e O. vesica auricularia.
Também são lançadas à praia duas espécies de Echinodermata: Mellita
quinquiesperforata e Encope emarginata.
Na faixa exposta na baixa-mar vivem vermes da classe Polychaeta e na área peripraial
submersa, de águas rasas e límpidas, encontra-se o siri.
Nos costões rochosos encontram-se várias espécies de Pelecypoda e Gastropoda, como, por
exemplo, os mexilhões, além das seguintes espécies: Diodora spp., Tegula viridula,
Calliostoma sp., Nerita sp. e Thais sp.
O costão rochoso possui três faixas distintas: litorinóide, balanóide e laminaróide.
A faixa litorinóide é constituida em grande parte pelo gastrópodo Littorina sp.
o qual possui grande resistência à salinidade, podendo suportar a dessecação, pois
recebe apenas respingos de água do mar. Nesta faixa vive também um Isopoda-Crustacea
conhecido como barata dágua.
Na faixa balanóide encontra-se a presença característica das cracas das pedras.
Trata-se de animais que podem viver muito tempo fora da água. Aí também vivem os Brachiodonte
sp. e Mystella sp. bem como a anêmona, conhecida como "flor das
pedras".
A faixa laminaróide caracteriza-se pela presença abundante de algas verdes.
Na parte emersa da ilha, nas restingas e nos morros, a fauna é relativamente pobre, com
exceção da avifauna, que encontra um local apropriado para seu desenvolvimento.
Entre espécies mais freqüentes encontram-se o gamba, o guaximim, o rato-do- mato, a
capivara, o morcego-beija-flôr, o morcego-fruteiro e o morcego-vampiro.
Nas diversas formações vegetais vivem cerca de uma centena de aves florestais. Nas
restingas e nos brejos com vegetação alta encontra-se o tiê-sangue, cujo macho
apresenta um intenso colorido vermelho.
Os surucurás ou amarelos são espécies típicas das matas. Comuns são os periquitos, o
tuim e o cuiu-cuiu. Os passeriformes são bastante comuns, destacando-se o bem-te-vi, o
tico-tico, o sanhaço, o sabiá-laranjeira e o pia-cobra.
Nas matas e na restinga alta são encontrados tucanos de pequeno porte: araçari-banana e
araçari poca.
Na praia e no mar encontram-se as gaivotas, o talha-mar, o mergulhão e a fragata. São
comuns duas espécies de trinta-réis, a de bico vermelho e a de bico amarelo, além de
maçaricos e batuíras.
Nas áreas de mangue vivem os martim-pescadores, a garça-cinzenta, a garça-azul, as
garças-brancas. No substrato lodoso do mangue encontram-se saracuras e biguás.
Na ilha do Mel vivem ainda algumas aves ameaçadas de extinção, em virtude do número
muito reduzido de indivíduos necessitando de cuidados especiais para a sua preservação.
Entre elas cita-se o papagaio-de-cara-roxa, endêmico no Brasil meridional, e o
colhereiro, de coloração rosa e bico em espátula.
O elemento humano que povoou por muito tempo o litoral paranaense foi o
caboclo descendente do português, miscigenado inicialmente com o indígena e
posteriormente com o africano.
Anteriormente à ocupação européia a pré-história do Paraná abrange vários
milênios. Os vestígios mais antigos, encontrados no Rio Paraná, datam de cerca de 7.800
anos; nos sambaquis do litoral são da ordem de 5.600 anos.
Os restos arqueológicos encontram-se predominantemente nos depósitos conchíferos de
origem antrópica, referidos como sambaquis. Estes evideciam as atividades do homem
pré-histórico nos seus hábitos alimentares e nos seus usos e costumes, aproximadamente
entre 6.000 e 2.000 anos passados.
Na época dos sambaquis a paisagem era diferente, a extensão das águas do sistema
lagunar bem maior e o nível do mar diverso do atual, geralmente mais elevado.
Na parte meridional da Ilha do Mel encontram-se dois sambaquis, um na planície arenosa
nas imdiações norte do Morro Bento Alves, e outro no seu costão, voltado para o Mar de
Dentro. Embora de idade desconhecidas, revelam ocupação multimilenar da Ilha do Mel pelo
grupo gê, anterior ao aparecimento dos tupi-guaranis na orla costeira.
Aém dos sepultamentos, nos sambaquis são encontrados artefatos líticos diversos e
numerosos vestígios de fogueiras. Em sua dieta o homem do sambaqui utilizava moluscos
principalmente ostras e berbigões, além de peixes e crustáceos, entre outros animais,
abundantes na região.
Na época do descobrimento, o litoral do Paraná, particularmente as margens da Baía de
Paranaguá, eram habitadas pelos carijós, indígenas do grupo étnico tupi-guarani.
Os cronistas referem-se aos carijós como indios de índole afável, pouco belicosos e de
boa razão. Sustentavam-se de caça e pesca, bem como de lavouras. As casas eram bem
cobertas e tapadas com cascas de árvore por causa do frio do inverno.
Seu patrimônio genético contribuiu para a formação étnica do litoral.
Em 1545 colonos lusos estabeleceram-se no Superagui, e entre 1550 e
1560 na Ilha da Cotinga. Vencido o temor aos carijós os portugueses passaram à terra
firme na costeira meridional da baía. Entretanto, as correntes efetivas do povoamento do
litoral deram-se no século XVII. Não encontramos referências aos primeiros povoadores
europeus da Ilha do Mel. Certamente teriam ascendência portuguesa ou seriam o resultado
da miscegenação com o indígena.
As habitações primitivas eram de tábuas e cobertas com folhas de palmáceas,
eventualmente com telhas. Possuiam soalho de madeira. As casas eram construidas afastadas
do mar, no meio do areião, a fim de evitar os ventos vindos do oceano.
Anteriormente à chegada do banhista, os habitantes dedicavam-se à pesca, outrora
abundante. Além de pescador, o caboclo estava ligado à floresta, onde ia buscar lenha
para seu fogão e coletar frutos, raízes, tubérculos e brotos para a sua alimentação.
Utilizava também o solo numa agricultura rudimentar de roçadas.
As roças ficavam distantes da moradia. Cultivavam banana, mandioca, milho e feijão.
Pequenos engenhos rudimentares produziam fariam de mandioca, elemento básico na dieta
alimentar do pescador.
A lavoura constituia mais uma atividade complementar à ocupação efetiva da pesca. Nesta
associação de práticas piscatórias e agrícolas o caboclo provia apenas o necessário
para o próprio sustento e de sua família. Embora a chegada do banhista criasse novas
oportunidades, ela contribuiu para descaracterizar os antigos hábitos, bem como abalar as
velhas tradições.
Nas primeiras décadas do Século XVIII eram grandes as preocupações
com a segurança de Paranaguá contra os ataques de navios piratas franceses , ingleses e
espanhóis que infestavam os mares aprisionando embarcações carregadas de ouro e prata,
bem como pilhando e destruindo as povoações costeiras.
Apesar de Paranaguá não ter despertado maior interesse por parte dos piratas, os
corsários aportavam apenas para refrescar-se de suas longas viagens e abastecer-se de
água e alimentos sem cometer nenhum ato de pirataria.
Mesmo assim o povo vivia aflito e com medo, na expectativa de ataques de surpresa.
A inquietação dominou o povoado quando da presença de um navio pirata francês,
comandado pelo Capitão Bolorot, o qual adeentrou a baia em direção à vila, perseguindo
um galeão espanhol carregado de prata. Como anoitecia, o pirata ancorou na enseada da
ilha da Cotinga. A população amedrontada implorava o auxílio e proteção da padroeira
Nossa Senhora do Rosário, com rezas e procissões, enquanto uma forte tempestade lançava
o navio pirata contra rochedos próximos da Cotinga afundando-o.
Este episódio foi decisivo.
A construção de fortificações se tornara uma necessidade para a defesa do porto e da
vila. Inicialmente o governo português providenciou para que se colocasse duas roqueiras
(antigo canhão de ferro que atirava pedras) na Ilha das Peças, dominando a entrada do
canal do norte, e duas peças no continente, além da colocação de sentinelas no Morro
das Conchas, na Ilha do Mel, transmitindo sinais a Paranaguá para acusar a presença de
embarcações de vela redonda, uma característica dos navios piratas.
Tal medida parecia suficiente até que com a elevação do Brasil a Vice-Reino em 1763,
cogitou-se oficialmente da construção de uma fortaleza na Baía de Paranaguá. D. Luiz
de Souza Botelho Mourão, ao assumir a Capitania de São Paulo tinh ordens de reforçar a
defesa da costa meridional para prevenir ataques marítimos dos espanhóis do Rio da Prata
e construir as fortalezas de Santos e Paranaguá. Foi seu parente e Ajudante de Ordens, D.
Afonso Botelho de Sampayo e Souza quem ficou encarregado da construção da Fortaleza de
Nossa Senhora dos Prazeres.
As obras foram iniciadas em 1766 e ganhando forma com os blocos rochosos talhados por
mestres canteiros enviados por D. Luiz e que eram cuidadosamente assentados pelos
escravos. As muralhas de 1,5 metros de espessura em quatro fachadas foram levantadas até
a altura de 7 metros. Nelas, sobre as pedras da base, foram colocadas cinco guaritas
salientes. Em 1769, a fortaleza tinha seu portão instalado na muralha norte e também já
estavam concluídas as prisões com janelas gradeadas, o aquartelamento, a cozinha, a
enxovia, a capela, a Casa do Comando e a Casa da Pólvora. Sobre as plataformas de
terrapleno foram instaladas baterias com suas 12 peças que podiam abrir fogo para todos
os lados e alcançar embarcações que passasem pelo canal sudeste.
Na última década do Século XVIII a Fortaleza fopi relegada ao abandono e seus canhões
foram removidos para a Fortaleza de Santos até que lá pelos idos de 1815, Ricardo
Carneiro dos Santos recuperasse o Forte com o aval do Governo. Em um ano foram restaurados
os alojamentos, a capela e a Casa do Comando e recolocados os canhões que retornaram de
santos. Hoje está definitivamente desativada sendo tombada como patriônio pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde março de 1972.
Ações bélicas da Fortaleza
A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres não teve uma atuação bélica permanente,
exceptuando-se o caráter preventivo e assustador pela sua própria existência. Mesmo
assim, pode-se considerar que a Fortaleza marcou a história da colonização paranaense
pelo litoral, como também durante a Segunda Guerra Mundial quando tornou-se a sentinela
de vigilância contra submarinos que pretendessem invadir as águas de Paranaguá.
Os Farrapos e a Fortaleza
A Fortaleza da Ilha do Mel, com uma guarnição vinda do Rio de Janeiro e sob o comando do
Tenente Joaquim Ferreira Barbosa, protegia o livre trânsito das embarcações do governo
imperial pelo Canal Sueste, único navegável para barcos de maior calado.
Estourava a "Guerra dos Farrapos" e os farroupilhas, sem medir conseqüências,
entregavam o comando de uma esquadra de lanchões de guerra ao marinheiro e aventureiro
Giuseppe Garibaldi e aos mercenários que o acompanhavam. Eles atacavam as embarcações
do império brasileiro para pilhagem e saques, principalmente entre o Rio de Janeiro,
Santos e São Francisco do Sul.
Foi em 31 de outubro de 1839 que uma escuna e um lanchão farroupilhas atreveram-se a
capturar a sumaca "Dona Elvira" e penetrar na Barra de Paranaguá. Os canhões
da Fortaleza atiraram, obrigando os invasores a retroceder. O vento colaborou e a escuna
fez rumo Norte enquanto o lanchão, mais pesado, por ali parou. Foi o tempo suficiente
para que uma lancha com vinte homens comandada pelo Alferes Manoel Antonio Dias saisse-lhe
ao encalço. Abordou-o e aprisionou a tripulação de aventureiros que Garibaldi trouxera
para a America e com os quais entrara para o serviço naval da República Piratinin.
Presumia-se que o próprio Garibaldi estivesse a bordo da escuna fugitiva o que não
impediu que o comandante da Fortaleza fizesse retornar a lancha "Dona Elvira"
remetendo os mercenários presos para Paranaguá.
O episódio Cormorant
O episódio mais célebre da Fortaleza da Ilha do Mel foi a luta, em 1850 com o cruzador
Cormorant da marinha inglesa.
No inicio do século XIX surgiram as primeiras tentativas para proibição do tráfico
negreiro da Africa para o Brasil. Já existiam leis proibindo esse tráfico, porém tais
determinações não eram cumpridas, principalmente no sul. O Porto de Paranaguá
converteu-se num dos maiores centro de contrabando de escravos os quais, ali desembarcados
eram transportados em seguida parfa outros pontos do Brasil. Por sua vez a Inglaterra que
por diversas razões, principalmente econômicas, não desejava aa continuação do
tráfico negreiro no Brasil, firmou um acôrdo com o Brasil em 1845, o "bill
Aberdeen", o qual permitia a perseguição de navios negreiros pela marinha
inglesa, até mesmo na costa brasileira. Foi daí que surgiu o sério incidente com o
cruzador britânico "Cormorant" na Baía de Paranaguá em 1850.
O Capitão Herbert Schomberg, comandante do navio inglês, tinha conhecimento do
contrabando de negros em Paranaguá mas desconhecia que os mesmos eram desembarcados nas
ilhas vizinhas, onde os escravagistas iam buscá-los para depois vende-los sem nenhum
problema. (os escravos, vindos da Africa, ficavam numa espécie de quarentena para se
recuperar da longa e estafante viagem nos navios negreiros, onde vinham amontoados como
gados e com uma precária alimentação que os deixava em estado de subnutrição.
Vítimas fáceis do escorbuto, encontravam em algumas ilhas o limão em quantidade para
recuperá-los na constante e forçada ingestão de vitaminas para combater a doença).
A 29 de junho de 1850, perto da Ilha da Cotinga, o Capitão Schomberg aprisionou os
brigues "Dona Ana" e "Sereia", bem como a galera
"Campeadora", quando já estavam de porões vazios. Tal fato provocou a revolta
dos moradores locais, principalmente dos jovens que viam tal ato como invasão e
desrespeito, ainda mais estimulados pelos ricos proprietários de naus contrabandistas e
ricos negociantes de escravos, o que culminou com a ação do comandante de um nos navios
brasileiros, o "Astro", o qual, para não ser apanhado pelos ingleses afundou a
embarcação com dezenas de negros presos nos porões. Para a população foi o estopim.
Comerciantes de Paranaguá protestaram inconformados com a violação das águas
territoriais brasileiras e, principalmente por não estarem as embarcações com escravos
a bordo. De nada adiantavam os protestos e como nãoi houve acôrdo com o comandante
inglês, vinte e seis homens da Vila resolveram dar combate ao cruzador na barra. Sairam
de Paranaguá em vários botes e lanchas com destino à Fortaleza da Ilha do Mel, a qual
encontrava-se em situação precária e incapaz de fazer frente ao armamento mais moderno
e potente do cruzador inglês. Mesmo assim, sem se intimidar, levavam tudo que se fizesse
necessário para colocar os canhões do Forte em ação: areia, cimento pólvora, balas,
além de ferragens e carpinteiros para colocá-los em funcionamento. Destacaram-se neste
episódio os jovens Joaquim Caetano de Souza, José Francisco do Nascimento e Manoel
Ricardo Carneiro que tiveram a iniciativa de "lavar a honra ultrajada".
De um lado o cruzador inglês, com as suas três presas a reboque, rumava para a barra
devendo forçosamente passar pelo canal sudeste, ao largo da Fortaleza. De outro lado os
vinte e seis voluntários civis, auxiliados por alguns soldados e com experiência de
alguns veteranos conseguiram colocar as 12 peças de artilharia em funcionamento. O choque
era iminente entree o cruzador e a Fortaleza.
Foram 40 minutos de tiros, entusiasmo e perigo, culminando com o Cormorant avariado em uma
das rodas de propulsão e um dos barcos a reboque também atingido. Não houve baixas na
Fortaleza, apenas um marinheiro inglês morreu a bordo de um dos brigues aprisionados.
Embora com um poderio de fogo muito superior ao da Fortaleza, o Capitão Schomberg não
reagiu, preferindo esquivar-se atirando apenas contra as rochas que flanqueiam a muralha.
Saiu da linha de fogo do Forte, abrigando-se para reparos na enseada em frente ao Morro
das Conchas. Ao prosseguir viagem o Capitão Schomberg mandou incendiar os dois brigues,
levando a reboque a galera "Campeadora".
De volta a Paranaguá, os defensores da Fortaleza foram recebidos com júbilo. A
inglaterra, ferida em seu orgulho, exigiu reparos aos danos físicos e morais. A questão
foi encerrada com um pedido de desculpas do Brasil. Ao final, restou uma vítima indefesa
dos acontecimentos: o Capitão comandante da Fortaleza foi punido e rebaixado a soldado de
terceira categoria depois de ser elogiado pelo Presidente da Província em oficio datado
de 22 de julho de 1850.
No alto do Morro das conchas, eleva-se, altaneiro, o Farol das conchas,
com sua estrutura tronco-cônica alongada terminada por uma plataforma circular de onde se
descortina magnífica paisagem.
Longe, ao fundo, os paredões íngremes e azulados da Serra do Mar. A distâncias cada vez
menores a imensa planície costeira, rasgada pelos rios de marés e recortada pelos
contornos graciosos da Baía de Paranaguá. Ao redor, e abaixo, a Ilha do Mel com seus
morros isolados interligados por restingas de areia. Na base, o mar açoitando os penedos
rochosos. E o marulhar das ondas embranquiçadas...
O Farol foi construído em 1870 por determinação do Barão de Cotegipe (Ministro da
Marinha do Império), pelos Construtores P. & W. Macleblon de Glasgow, sendo Zozimo
Barrozo o engenheiro. Começou a funcionar em 1872. Atualmente é alimentado por energia
solar. Originalmente havia uma edificação de alvenaria com espessas paredes brancas
circundando a base do farol. O assoalho era de cedro e o forro de imbuia. Acima da porta
havia uma placa de bronze comemorativa.
Lamentavelmente, a edificação circular, casa do faroleiro (monumento histórico) foi
demolida sem que ninguém saiba por que...
Desde o início da navegação no período colonial sempre houve
problemas com a entrada de veleiros na barra da Baía de Paranaguá. Apenas os navegantes
experientes dois séculos XVI e XVII e, principalmente, os piratas do século XVIII,
conseguiam transpor os trechos dificeis do canal de acesso. No entanto, sempre existia
alguém disposto a guiar as embarcações barra adentro.
O prático é quem conhece os caminhos tortuosos da barra e todas as passagens para levar
com segurança os navios ao porto e trazê-los de volta ao alto mar.
Era só o navio apitar, e o prático saía ao mar a qualquer tempo, sol ou chuva, de dia
ou de noite, com mar calmo ou revolto, para assumir a roda do leme e o "comando do
navio", evitando escolhos rochosos e bancos de areia do sinuoso canal de sueste.
No início os práticos trabalhavam independentemente com suas canoas de madeira de um só
tronco, depois associaram-se, passando a usar lanchas possantes.
O canal sueste, utilizado a mais de 200 anos, apresenta numerosos problemas e perigos para
a navegação, devido à sua pequena largura entre as ilhas do Mel e das Palmas e, em
certos pontos, profundidade de 6 m. Foi abandonado com a abertura do canal sul em 1979.
Anteriormente ao uso da barra sul, os práticos mantinham nas imediações do Morro das
Conchas um posto de radio e casa para sua estadia ou pernoite na ilha quando levavam ou
traziam navios de Paranaguá.
Nas décadas de 30 e 40, ates da 2a Grande Guerra Mundial,
os excelentes atrativos paisagísticos e românticos da Ilha do Mel favoreceram o
desenvolvimento de próspero balneário nas imediações da Fortaleza. Era então muito
procurado, principalmente por famílias de origem alemã, residentes em Curitiba.
As casas de madeira possuiam estilo próprio, convidando ao lazer e ao descanso. Na vila
havia um hotel, também de madeira. Não faltavam a venda e o correio. O clube tinha
espaçoso salão onde realizavam-se os bailes da temporada de junho e julho. Nesses meses
o perigo da malária era bem menor do que no verão.
A viagem de Paranaguá à Ilha do Mel demorava 3 horas. A lancha saia do cais da Rua da
Praia e atracava no trapiche do Mirante, aproximadamente a 3 quilometros da fortaleza.
Raramente ia além, até o Forte, pois aí o mar era agitado.
Assim o banhista era obrigado a andar pela praia levando sua bagagem. Quando funcionava, o
caminhão do hotel fazia o transporte de passageiros e sua equipagem.
Apesar dos transtornos da viagem, os passeios, os passatempos diversos, os folguedos e as
algazarras das crianças compensavam os sacrificios advindos da precária estrutura
turística da Ilha, bem como da crônica falta de água nas três nascentes que abasteciam
o Balneário. Geralmente, esgotavam-se na temporada. Restava apenas a bica perene da
Fortaleza que nunca secava, fluindo sempre límpida das pedras.
Tudo isso não importava...
Os contratempos eram contrabalançados pelas serenatas dos violeiros, pelos arrasta-pés
ao som das sanfonas tocando velhas polcas, valsas e marchinhas ao lados dos ritmos
diferentes dos boleros e swings, entre outros.
Na praia, as donzelas de maiôs de saiotes e os guarda-sóis multicoloridos emoldurados
nas areias sem fim, contrastavam com as formas da paisagem cheia de encantos.
Entretanto, nada é eterno!...
A 2a Grande Guerra Mundial pôs fim ao Balneário da Ilha do Mel com sua
ocupação militar. O Ministério do Exército requisitou as casas dos banhistas,
devolvendo-as em 1946 em estado precário, com móveis e utensílios danificados ou
pilhados.
Além disso, desde muito tempo o mar vem avançando sobre as praias da Ilha. A erosão
marinha atingiu severamente a estrutura do balneário, afetando casas e arrancando
árvores. Desgostosos , os banhistas passaram a freqüentar as praias de Matinhos, Caiobá
e Guaratuba, no continente. A comunidade nativa também sofreu com a decadência do
Balneário iniciada em 1943, a qual acentuou-se com a dificuldade do transporte marítimo.
Também as agruras não são eternas...
Neste pedaço abandonado da ilha, a natureza, aos poucos recuperou-se. É a vegetação a
beira-mar que retorna ao som do marulhar das ondas.
Em parte, o Balneário foi reconstruído nos moldes antigos. Entretanto, em outros locais
de acesso mais fácil, pelo Mar de Dentro e via Pontal do Sul, ocorreram ocupações
desordenadas e poluidoras, cerceadas em grande parte pelo "tombamento" e
posterior transformação em Reserva Ecológica administrada pelo Governo do Estado do
Paraná.
A Ilha do Mel foi tombada em 16 de maio de 1975 por ato da
Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. Deliberações
posteriores culminaram com a criação da Reserva Ecológica da Ilha do Mel, com a
finalidade de proteger e preservar os ecossistemas das restingas e dos morros.
Um Plano Diretor prevê áreas de ocupação, tanto pela população local como pelos
veranistas, estabelecendo diretrizes para preservação do patrimônio natural do restante
da ilha.
COLETÂNEA DE LEGISLAÇÃOE DOCUMENTAÇÃO
Sumário
01. Lei Federal 9.760, Artigo 105, de 05/09/1946
Preferências de aforamento02. Lei Estadual 1.211, de 16/09/1953
Dispõe sobre o Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná02a. Inscrição n° 38 de 01/03/72
Registra o Tombamento da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.02b. Inscrição n° 56 de 16/05/75
Registra o tombamento da Ilha do Mel, com a finalidade de proteção da
flora, fauna e sambaquis.03. Decreto Estadual 2.611 de 02/07/1980
Constitui Comissão Especial para Estudo das Ilhas do Litoral Paranaense, notadamente das Ilhas do Mel e Superagui.03a. Relatório n° 02 de julho de 1981
Define o Plano de Uso para a Ilha do Mel.04. Portaria n° 160 da Secretaria do Ministério da Fazenda de 15/04/1982.
Autoriza a Cessão, sob regime de aforamento dos terrenos que menciona, situados na Baía de Paranaguá, Estado do Paraná.05. Certidão n° 061/82 do Serviço do Patrimônio da União/Paraná.
Transcreve o Contrato de Cessão, sob regime de aforamento, de terrenos da marinha e interiores, existentes na denominada Ilha do Mel, firmado entre a União Federal e o Estado do Paraná, em 05/08/1982, Contrato registrado, no Livro Próprio de Contratos de Cessão n° 02, fls. 29 a 34/v, do S.P.U. Delegacia no Estado do Paraná.06. Matrícula do imóvel Ilha do Mel n° 26.970 em 24/02/1983 no Cartório de Registro de Imóveis de Paranaguá, Paraná.
07. Decreto Estadual n° 5.397, de 02/09/1982
Delega ao Instituto de Terras e Cartografia ITC, os poderes necessários à fiel execução das atribuições conferidas ao Estado do Paraná na Portaria n°160, de 15/04/82, da Secretaria Geral do Ministério da Fazenda.08. Decreto Estadual n° 5.454, de 21/09/1982
Cria a Estação Ecológica da Ilha do Mel, com área de 2.240.69 hectares que especifica e atribui ao ITC Instituto de Terras e Cartografia a sua administração, guarda e fiscalização.09. Exposição de motivos do Instituto de Terras e Cartografia de 10/12/84.
Histórico, competência institucional, destinação da Ilha do Mel e justificativas para o Instituto de Concessão de Uso.10. Decreto Estadual n° 4.964 de 27/02/1985
Autoriza o Instituto de Terras, Cartografia e Florestas a outorgar Concessões de Uso sobre a Ilha do Mel.11. Decreto Estadual n° 3502 de 3 de setembro de 1997
Delega ao Instituto Ambiental do Paraná os poderes para a fiel execução dos poderes conferidos ao Estado do Paraná pela Portaria n° 160 de 15 de abril de 1982, do Ministério da Fazenda e cria o Conselho Gestor da Ilha do Mel.
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